Alimentação saudável em prol da comunidade

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O Centro de Educação Alimentar e Terapia Nutricional (Ceatenut) da Universidade de Taubaté (UNITAU) surgiu em 2007, por iniciativa de professoras do curso de Nutrição, que tinham dois intuitos: oferecer estágios aos alunos e disponibilizar serviços gratuitos para a comunidade de Taubaté.

O Centro funciona de segunda à sexta das 8h às 15h. A pessoa que quiser participar precisa de um encaminhamento ou pode fazer a inscrição por telefone, gerando uma ficha de atendimento e, por meio desse registro e da triagem dos professores, o paciente é encaminhado para as atividades que se enquadrem em sua necessidade no momento.

ATENDIMENTO

O maior foco, desde o início, é a educação alimentar. O Centro recebe a população em geral e casos específicos – em 2015, foram mais de 1000 atendimentos. As pessoas podem procurar o espaço por iniciativa própria, em busca de qualidade de vida, ou podem utilizar o Centro a partir de um encaminhamento médico, a exemplo daquelas que têm doenças crônicas e chegam até as nutricionistas após serem atendidas na rede pública de saúde.

Além dessas ações, o núcleo realiza diferentes atividades direcionadas para a alimentação saudável, como as oficinas culinárias, explicando para a comunidade como se preparar, de forma adequada, um alimento rico em nutrientes.

“Temos vários casos especiais, como crianças que vem aqui e mudam de comportamento. Adultos que vem procurando saúde, mas acabam buscando, além disso, outras conquistas pessoais”, afirma a especialista Aline Liz de Faria.

ESTÁGIO

A formação prática do aluno como um nutricionista é um dos principais objetivos do Ceatenut. O aprendizado feito em sala de aula é praticado no Centro e faz com que o estudante se depare com a realidade de um verdadeiro profissional. Os professores destacam que a experiência do estágio é um grande passo para lidar com a realidade da sua profissão, tanto que existe um estágio mínimo obrigatório para a formação do universitário.

O contato com o Centro começa a partir do sétimo período do curso, mas os alunos do terceiro semestre também podem ir ao centro em caráter observacional, visualizando como é feito o trabalho do nutricionista.

Antes de exercerem as atividades dentro do estágio, passam por uma semana de treinamento, que são as explicações de como serão os atendimentos, as obrigações da parte acadêmica, sobre a comunidade e sobre as atividades que irão desenvolver. Eles têm também contato com os materiais pedagógicos e conhecem os prazos de entrega das ações propostas.

“É uma experiência maravilhosa estar aqui, você tem uma visão mais ampla. Eu digo que entrei uma pessoa e estou saindo outra muito melhor, com um acréscimo de conhecimentos muito grande que, com toda certeza, vou levar para o resto da minha vida”, afirma Adriana Aparecida da Silva Alvarenga, aluna do último ano de Nutrição.

O aluno, com a supervisão dos professores, elabora as atividades em grupo. É ele quem prepara, desenvolve e torna esse material viável para a comunidade. Dentro do centro, o estudante é muito ativo.

O estágio também tem o intuito de aproximar o aluno da comunidade, ensinando como tratar os pacientes adequadamente. “Na sala de aula temos mais aquela parte teórica, aqui colocamos em ação tudo que aprendemos”, completou Adriana.

Créditos: Renan Tomy
Créditos: Renan Tomy

COMUNIDADE

Com a sequência de atendimentos, os pacientes acabam confiando nos alunos. Além de experiência na área, os profissionais de Nutrição relatam que ganham um sentimento de dever cumprido ajudando aqueles que precisam.

“Você ouvir seu paciente, esperar que ele fale o que está sentindo, é muito importante. Assim, com o encadear da conversa, você observa que pode melhorar muita coisa na alimentação dele”, conta a aluna Adriana Aparecida da Silva Alvarenga.

O Centro já recebeu exemplos de pessoas que mudaram para melhor, como uma senhora citada pela Professora Aline de Faria. “Ela veio nos procurar para atendimento e revelou uma dinâmica familiar bem complicada, pois não tinha acessos a alimentos. Na casa dela não tinha água potável e nem luz, ela tinha recursos mínimos para viver”, contou. “Demos auxílio e a orientamos a buscar condições mínimas dignas de um ser humano. Quando voltou, estava extremamente agradecida porque além da nossa ajuda, conseguiu inscrição para a casa popular e um programa de cesta básica. Isso foi uma grande conquista para nós, porque é o ser humano como um todo, não só o lado da alimentação”, finalizou.

A paciente Samille dos Santos, de 11 anos, acredita que mais pessoas deveriam conhecer o Ceatenut. “Acho que tinham que descobrir isso, pois tem muita gente com casos como o meu, que está com sobrepeso e não sabe o que fazer, mas ao invés de procurar, ficam em casa assistindo série e comendo. Eles deveriam ver que existem dietas legais e que ajudam muito”, opinou ela.

Com 10 anos de existência e muito desenvolvimento, o Centro busca atingir mais do que alunos de Nutrição e a comunidade. Um dos principais objetivos é o de que a Clínica seja utilizada por outros cursos da Universidade.

Renan Tomy
ACOM/UNITAU

* Foto: Renata Moraes/UNITAU