Clínica de Odontologia promove crescimento profissional por meio de atendimento à população

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Em uma sala com aproximadamente duzentos consultórios, sob uma luz pálida e ao som de motores, alunos e professores movimentam-se graciosamente para atender a população do Vale do Paraíba.  Anualmente, aproximadamente 8.400 pacientes passam pela Clínica de Odontologia da Universidade de Taubaté (UNITAU) em busca de atendimento de qualidade.

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São mais de oito mil atendimentos por ano

Entre biombos, há cadeiras confortáveis, motores e uma infinidade de materiais dentários. Atrás dos objetos, meninas e meninos de toucas, máscaras e jalecos com nomes para facilitar a identificação colocam em prática o que aprendem em sala de aula.

Fundado em 1979, o Departamento de Odontologia conta com três clínicas e oferece todos os tipos de atendimentos odontológicos. O objetivo é trabalhar simultaneamente o aprendizado acadêmico e o social. “Nós temos um índice de satisfação muito grande frente ao tratamento. Imagine você que o aluno hoje realiza procedimentos de qualidade a baixo custo, ou até mesmo gratuitos”, contou o Prof. Dr. Valério Costa, diretor da Clínica.

Desde o terceiro semestre do curso, os alunos têm contato com os pacientes e realizam diversos procedimentos clínicos e cirúrgicos, semanalmente, com o auxílio dos professores. “Nós tentamos imbuir no nosso aluno a realidade brasileira, a nossa condição de saúde bucal e, a partir disso, mostrar o quanto o tratamento em si é importante, não só para o aprendizado dele, mas para vida daquele paciente também”, explicou o professor.

A aluna do sétimo semestre Mariana Braga Zanca, que atua na Clínica desde o segundo ano de graduação, adquiriu, ao longo do curso, experiências profissionais e pessoais. “Na teoria tudo parece muito simples, mas na Clínica lidamos com seres humanos, a responsabilidade é muito maior. Essa convivência com o outro é algo que vou levar como bagagem em todos os âmbitos da minha vida”, disse.

Os alunos são instruídos a trabalhar as técnicas e também a sensibilidade para despertar cada sorriso. “Eu acho que muitas crianças chegam aqui com aquele sentimento de agonia. Eu estava com medo quando vim aqui pela primeira vez, mas as meninas sempre foram muito carinhosas e pacientes. Eu fiquei muito feliz quando coloquei o meu aparelho”, contou Luyne Cabral, de sete anos, paciente da clínica desde outubro de 2015.

“A relação com os pacientes é construída as poucos. No começo, eles chegam aqui bem inquietos e, com o tempo, eles vão se desenvolvendo. Na Clínica de Pediatria, isso é mais evidente. As crianças chegam aqui com medo e, ao longo das consultas, se tornam nossos amigos. Isso é muito gratificante”, acrescentou Mariana.

Os munícipes interessados entram em contato com a Instituição e, em seguida, são encaminhados a uma assistente social.  Ela faz uma triagem e avalia a condição socioeconômica do paciente, que, dependendo do caso, pode vir a receber tratamento gratuito.

“Soube da Clínica por indicação de uma amiga e, assim que soube, entrei em contato para fazer a ficha de inscrição. Eu tinha muita dificuldade de encontrar profissionais que oferecessem atendimento como este que recebemos aqui, com um preço acessível, sem contar que todos são muito receptivos e profissionais”, ressaltou Neila Aparecida, mãe de Luyne.

“Eu espero que esse tipo de serviço que a Universidade oferece à comunidade só cresça, que os alunos que estão saindo sejam ótimos profissionais e que os que estão chegando continuem esse trabalho, porque a população é carente e precisa dessa atenção. Esse contato é importante para a vida profissional dos alunos e para a nós, que recebemos essa oportunidade”, finalizou Neila, muito satisfeita e grata aos profissionais envolvidos.

EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA E HUMANA

Além de oferecer atendimento dentro das especialidades de prótese, cirurgia, endodontia, periodontia, pediatria, dentística e melhor idade, a Instituição trabalha a extensão universitária por meio do projeto Odontologia para Deficientes (OPD).

O projeto implantado na Universidade em 2010 pela Profa. Dra. Lucilei Lopes Bonato, pela Profa. Dra. Adriene Mara Souza Lopes e Silva e pelo Prof. Dr. Celso Monteiro da Silva tem o objetivo de formar profissionais capazes de prestar qualquer tipo de atendimento à população, principalmente a pessoas com necessidades especiais.

A especialização em atendimento para pessoas especiais não entra na grade curricular do curso, por isso o atendimento é realizado por alunos voluntários do 1º ao 4º ano.

Rafaela Ayello
Aluna de Odontologia participa do projeto OPD

“Aqui no Vale do Paraíba, não temos muito profissionais aptos a realizar esse tipo de atendimento, por isso a OPD se expandiu e hoje atendemos pessoas de diferentes cidades. Eu participo do projeto desde o primeiro ano e tenho certeza que eu jamais teria aprendido em sala o que eu aprendi aqui. Esse contato com os pacientes e com a família deles se resume em confiança e gratidão”, disse a aluna, bolsista do projeto, Rafaela Ayello.

“O principal aprendizado é a humanização. É tratar o paciente e não exaltar a deficiência, mas contorná-la, porque, assim, ele se sente incluído” explicou a Profa. Dra. Lucilei.

Thaiz Wertz
ACOM/UNITAU

*Fotos: Leonardo Oliveira/ACOM