Marina-Ferreira

Ex-aluna tem destaque na internet após post contra cultura do estupro

Aluno, Destaque, Ex-aluno

Formada em 2013 em Publicidade e Propaganda na Universidade de Taubaté (UNITAU), a ex-aluna Marina Ferreira, de 25 anos, viralizou na internet após fazer uma publicação em uma de suas redes sociais contra a cultura do estupro. O post publicado na última quinta-feira (26) no Facebook e teve mais de 100 mil compartilhamentos e 120 mil curtidas.

O texto escrito pela publicitária traz notícias sobre abusos sexuais de diversos veículos, juntamente com justificativas que normalmente são usadas para culpar a própria vítima de tal violência.

“Se ela estivesse na igreja isso não aconteceria” foi uma das justificativas colocadas pela ex-aluna, que em seguida usou como referência uma matéria publicada sobre uma jovem que teria sido estuprada dentro da secretaria de uma igreja na cidade de Brasília, estabelecendo uma crítica entre o senso comum e os casos noticiados.

Desta forma, ela reúne diversas outras notícias que, segundo Marina, têm mais impacto juntas.

Em entrevista, conta o que a motivou para tomar a iniciativa. “A ideia do post veio da vontade de provar que não existe, de forma alguma, nada que sirva como ‘desculpa’ quando uma mulher é vítima de abuso. É muito fácil provar, as notícias existem, mas as pessoas acabam se esquecendo delas”. A publicitária ainda revela que não esperava por tamanha repercussão. “Eu não esperava, achei que teria a média que os meus posts pessoais têm, o que é no máximo 100 compartilhamentos.”

Sabendo do alcance que as redes sociais possibilitam de uma forma geral, já que trabalha nessa área, Marina frisa a relevância que elas podem ter em relação ao assunto. “A publicação pode chegar a pessoas que não recebem esse tipo de informação todos os dias e fazê-las parar para pensar um pouco. Se uma pessoa mudar a forma de pensar por meio do post, eu já tenho uma vitória. O que mais me influenciou ao criar o post é tentar, pelo menos um pouco e do meu jeito, poupar a vítima de abuso de mais uma violência, que são essas acusações.”

 

Projeto da Universidade atende cinco casos de estupro por semana

O Grupo de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual (GAVVIS) é um dos projetos da Pró-reitoria de Extensão da Universidade de Taubaté (UNITAU). Do atendimento laboratorial à assistência jurídica, ele atende toda a comunidade, com profissionais especializados, no Hospital Universitário de Taubaté.

O GAVVIS recebe, em média, cinco casos de estupro por semana, sendo que desses cinco, três envolvem vítimas crianças e adolescentes, em que o abuso vem dos próprios pais ou de familiares.

Giovanna Madureira
ACOM/UNITAU

* Foto: Thiago Gustavo