Ex-aluna de Publicidade cria site para falar sobre esclerose múltipla

Destaque

“Doença autoimune que atinge o sistema nervoso central” foi à única resposta que os sites de busca da internet mostraram para a ex-aluna de Publicidade e Propaganda da Universidade de Taubaté (UNITAU), Raquel Costa, 26 anos, quando procurou por “Esclerose Múltipla”. Ela recorreu ao computador para tentar encontrar mais informações para a doença descrita em seu prontuário médico. Ao clicar no botão “pesquisar”, se sentiu sozinha. Surgiram na tela apenas informações como: doença rara, apenas 150 mil casos no Brasil por ano, pode durar anos ou a vida inteira. E só.

“Meu primeiro surto aconteceu em Fevereiro quando perdi parcialmente a visão. Eu fui direto ao hospital, mas como era época de carnaval, não tive muita assistência e acabei indo para casa. Foi só depois de passar pela oftalmologista que descobri que se tratava de uma doença mais grave, porém, não tive nenhuma informação”, lembra Raquel sobre o processo enfrentado no começo de 2016, quando descobriu a doença. “Senti medo de perder o controle do meu corpo, de perder a minha independência. Eu temi pela minha carreira”, concluiu.

A falta de informações a doença e os estereótipos criados acerca das pessoas que possuem esclerose múltipla foram combustíveis para a publicitária, que encontrou na profissão uma forma de superar e, ao mesmo tempo, informar a população sobre a doença. “Fiz uma página no Facebook para compartilhar minhas experiências com a doença com outras pessoas, que assim como eu, não querem abrir mão de ter uma vida normal”, disse ela sobre a fanpage “Somos Todos Esquecidos”, criada há três meses. Hoje, a página coleciona mais de mil seguidores.

A repercussão foi tanta que Raquel expandiu o projeto e criou um blog. O nome “Somos todos Esquecidos” deu-se porque um dos sintomas da doença é o esquecimento, porém, muitas pessoas começaram a se identificar com a situação e a compartilhar suas experiências com a publicitária que registra tudo no site.

“Os conhecimentos que adquiri na faculdade e as experiências profissionais que tive ao longo de minha carreira me ajudam muito a administrar o blog. Quando eu decidi expandir o projeto para outra plataforma, decidi que seria algo bem profissional. É tudo por minha conta, desde o layout até a divulgação”, contou ela, lembrando dos seus professores, como Prof. Me Josué Brazil e Profa. Ma. Edilene Maia e de sua passagem como estagiária na Central do Aluno da UNITAU.

Além conquistar seguidores nas redes sociais, Raquel conquistou amigos com o projeto. A blogueira também criou um Grupo de Apoio aos Portadores de Esclerose Múltipla do Vale do Paraíba, que teve o seu primeiro encontro realizado no último sábado, dia 16. O grupo conta com 21 pessoas de diferentes cidades da região que se reúnem para trocar histórias, falar sobre o tratamento de cada um, sobre as dificuldades, alegrias e superações.

“Aprendi demais, senti na pele a dor que o outro já passou, mas também senti a felicidade de uma nova conquista. Nunca me senti parte de um grupo. Agora eu sinto que faço parte de algo, que tenho um propósito. A esclerose múltipla pode ter me tirado algumas coisas, mas me trouxe também inúmeras coisas boas que não seria possível ter sem a doença”, ressaltou.

A publicitária está temporariamente afastada do emprego por conta do tratamento e dedicada integralmente ao projeto, mas garante que sua vida não gira em torno da doença. Raquel também divide seu tempo com suas outras paixões: o cinema e a gatinha Mielina, que virou mascote do grupo e até ganhou um perfil nas redes sociais.

Quando questiona sobre o futuro do projeto, Raquel fala sobre o plano de transformar o Grupo em uma ONG que possa ajudar os portadores da doença de forma efetiva, oferecendo orientação médica, psicológica e jurídica. “Eu quero que as pessoas vejam que você pode ter uma vida normal. É claro que mudei muitas coisas na minha vida. Hoje eu sou vegetariana, faço pilates e valoriza mais o meu tempo. Eu me respeito muito mais” finalizou.

 

Thaiz Wertz
ACOM/UNITAU