Grupo da Universidade testa vulnerabilidades em urna eletrônica

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Desde 2012, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realiza testes em urnas eletrônicas para detectar possíveis vulnerabilidades. O diretor do Departamento de Informática da Universidade de Taubaté (UNITAU), Prof. Dr. Luis Fernando de Almeida, junto aos alunos, Alison Luiz, Jeferson Lesbão, Vinicius Zibetti e Fábio Barros, se inscreveu para participar do projeto e foi aprovado. Em março, o grupo esteve em Brasília. “Vimos que era possível o áudio vazar da urna. Era possível acoplar um dispositivo em miniatura em uma das saídas de áudio, e alguém, com um celular ou computador, poderia ouvir o voto”, explicou Luis Fernando.

O áudio na urna eletrônica existe em função de deficientes visuais, mas, segundo o docente, ele é utilizado em três situações. Alguns eleitores pré-definidos, a partir de um cadastro e por um motivo justificado, podem habilitar o áudio. Outra opção é conectar o fone de ouvido e o áudio estará liberado. E, na última situação, a pessoa solicita ao mesário e o áudio será automaticamente liberado para ouvir. A questão levantada pelo grupo é que qualquer pessoa de “má fé” pode escutar os votos. “Se se acoplar o dispositivo em miniatura, é possível criar um link na internet e uma pessoa no Amazonas poderia escutar os votos de uma sessão em Taubaté”, disse o docente.

Na semana passada, o TSE convocou novamente o grupo para apresentar as ações propostas diante das vulnerabilidades encontradas pela equipe da UNITAU. O Tribunal Superior Eleitoral apresentou uma solução para, quando o áudio estiver habilitado, aparecer uma mensagem na tela avisando o eleitor. “Isso pode minimizar o problema, mas não resolve completamente. Uma pessoa menos instruída poderá não compreender a mensagem”, contou o Prof. Luis Fernando. Caso a mensagem apareça, é preciso avisar o mesário, mas isso tem de ser feito antes de validar o voto.

Entre as soluções propostas pelo grupo, uma das alternativas seria uma verificação constante da parte traseira da urna, para se certificar de que não há dispositivo algum conectado, e os eleitores que estiverem votando poderão servir de testemunha da averiguação. Outra sugestão do grupo é implementar no manual do mesário uma foto que ilustre a urna eletrônica e como ela deve ser. Assim, poderão identificar possíveis irregularidades. Segundo o docente, a solução ideal seria um som criptografado. “Para capturar um som criptografado, é preciso de um dispositivo específico, funciona como uma senha, mas essa é uma solução cara”, esclareceu.

Para essas eleições, o TSE colocará em vigor a mensagem que alerta o eleitor que o áudio está habilitado, e não haverá mais urnas com o áudio cem por cento liberado pelo mesário. A averiguação e a imagem da urna eletrônica no manual do mesário também serão implementadas. “Todo sistema computacional está sujeito a ataques. Para torná-lo menos inseguro, é necessária a realização dos testes. Esse é o mérito do TSE: ter essa proposta em aprimorar a segurança”, afirmou o docente.

“O que mais me marcou, foi conseguirmos colocar tudo em prática. Tivemos a ideia e conseguimos implementá-la”, comentou Alison Luiz, um dos integrantes do grupo.

Para Jeferson Lesbão, o mais importante foi conseguir modificar algo na urna. “Nós encontramos um problema, apresentamos soluções e houve uma mudança na urna eletrônica porque conseguimos descobrir essa vulnerabilidade”.

“Foi uma experiência nova, aprendi muito. Foi gratificante poder descobrir algo e propor soluções”, disse Vinicius Zibetti.

Para o Prof. Dr. Luis Fernando de Almeida, a participação da equipe UNITAU nestes testes promovidos pelo TSE serviu para abrir oportunidades e possíveis parcerias. “Isso só demonstra a nossa credibilidade e reconhecimento pelo TSE”, finalizou.

 

Ingra Lombarde
ACOM/UNITAU

*Foto: Giovanna Madureira/ACOM