Ex-aluna desenvolve pesquisa sobre inclusão escolar do autista

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O autismo causa dificuldades na interação social e na comunicação e causa mudanças de comportamento na criança. Um levantamento feito pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos constatou que a incidência de autismo entre as crianças aumentou e, agora, um em cada 45 estão dentro do transtorno do espectro autista. A pesquisa da ex-aluna Monique Marques da Costa Godoy, que cursou Psicologia na Universidade de Taubaté (UNITAU), constata que a presença de alunos autistas no ensino regular tem aumentado expressivamente, o que demanda adaptações tanto do professor quanto da própria escola para a inclusão efetiva do aluno.

O objetivo do estudo foi identificar a percepção do professor sobre a inclusão do aluno autista nas escolas regulares, uma vez que a percepção sobre este aluno é essencial para a promoção de suas habilidades.

Monique desenvolveu a pesquisa para o trabalho de conclusão de curso, e a escolha do tema se deu após o período de estágio. “No primeiro ano, eu fiz estágio em uma escola especializada para alunos deficientes, e lá havia três alunos autistas. Passei por outros temas, mas, na hora de decidir, eu senti que deveria fazer algo por essas crianças que tinha conhecido”, conta a psicóloga.

A pesquisa foi aplicada na zona norte de Taubaté, em uma amostra de 58 professores, que atuam em nove escolas da rede municipal de ensino.

Os resultados mostram que 84,44% da amostra concordam que os alunos autistas devem participar de todas as atividades propostas em sala de aula e 60,34% dos participantes entendem que os autistas podem interagir com os colegas, mas não espontaneamente.

Aproximadamente 59% dos professores concordam que os alunos autistas acompanham os conteúdos desenvolvidos em sala de aula, porém 67,23% afirmam que a avaliação dos mesmos deve ser diferente da avaliação dos outros alunos. A maioria dos participantes percebe que deve haver adaptação curricular para esses alunos (91,37%) e acreditam que deve haver atividades especiais (94,82%).

Sobre o trabalho com alunos especiais, 81,48% dos participantes afirmaram não receber orientação para atuar com este público, enquanto 43,1% perceberam-se capazes de identificar alunos autistas.

Quanto ao envolvimento dos pais, todos os participantes reconhecem como uma variável que favorece o desenvolvimento escolar do autista. Por fim, os resultados apontam contradições na percepção dos professores quanto ao tema. Por isso, pode-se observar desconhecimento do autismo, além da necessidade de se investir na formação do profissional e  na melhoria de recursos. Esses fatores acabam por prejudicar tanto o processo de inclusão da criança quanto à prática pedagógica do professor.

Giovanna Madureira
ACOM/UNITAU

 

*Foto: Leonardo Oliveira ACOM /UNITAU