Pesquisa aponta a relação entre a poluição e o número de infartos em São José dos Campos

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Não é de hoje a discussão sobre os malefícios da poluição do ar para nossa saúde. Pensando nisso, a aluna do último ano do curso de Medicina da Universidade de Taubaté (UNITAU), Tássia Soldi Tuan, desenvolveu uma pesquisa, em que avaliou o quanto a poluição do ar interfere nas internações por infarto agudo do miocárdio.

A cidade escolhida para a pesquisa foi São José dos Campos, com enfoque nas pessoas com mais de 50 anos de idade. No artigo, foram descobertas, ao todo, 1.837 internações por infarto, sendo 636 mulheres e 1.200 homens. O cálculo, realizado ao fim do estudo, é conhecido como fração atribuível populacional, em que é possível estimar, de acordo com o custo de cada internação, quantas podem ser evitadas se a concentração de poluentes for diminuída.

O estudo realizado nos últimos dois anos usou como base os dados fornecidos pelo Departamento de Informática do SUS (DATASUS), junto ao Sistema de Informação Hospitalar (SIH), que possibilita a filtragem das informações por município e por doença de interesse. A estudante também utilizou os dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), para encontrar quais eram os poluentes mais comuns, e descobriu que, no caso, monóxido de carbono e o dióxido de enxofre eram as duas substâncias principais na atmosfera.

A partir do cruzamento dos dados, a estudante comprova ainda qual o valor pode ser economizado pelo governo com a diminuição das internações. “O SUS gasta cerca de R$100 por dia com internação. Cada internação por infarto custa R$1000. No final, isso gera um montante de R$100 mil, que o SUS poderia ter economizado se houvesse a emissão de poluentes fosse diminuída”, explica. “Além de mostrar o número estatístico, também consigo mostrar o valor em dinheiro, isso foi muito legal”, completou.

Além dos cruzamentos entre os poluentes e a doença, a aluna separou a amostragem por gênero. Os dados apontam que as mulheres são mais suscetíveis ao infarto, em partes pela alta dos poluentes e também pela mudança hormonal que acontece neste período com a menopausa. “Separar por gênero é uma coisa nova, é algo diferente e aqui no Vale”, ressaltou a aluna. “O que mais me surpreendeu foi saber que a mulher é mais suscetível. Porque, se você muda a doença, muda a resposta”, concluiu.

“O estudo ecológico é isso, ele tem algumas falhas porque eu não consigo provar cientificamente o que eu estou falando, mas os dados estatísticos mostram que é verídico”, frisou. A estudante contou que as soluções para o problema seria diminuir a frota veicular e investir em transporte público, uma vez que o monóxido de carbono é emitido pelo escapamento dos carros, e quanto mais carros, mais poluentes vão para a atmosfera.

O artigo foi aceito nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, uma revista voltada para a área médica, e deve ser publicado no mês de outubro. As experiências na área da pesquisa contribuíram para a jornada acadêmica da jovem. ”Eu fui a um congresso internacional de saúde e epidemiologia e apresentei para uma especialista de Harvard. Conheci muita gente importante”, contou a aluna, que também relembrou a importância do seu orientador, o Prof. Dr. Luiz Fernando Costa Nascimento. “Ele é o meu mestre. Tudo que ele me ensinou, eu vou levar para o resto da vida”.

Giovanna Madureira
Ingra Lombarde
ACOM/UNITAU

 

*foto: Leonardo Oliveira/UNITAU