Pela causa da história e da memória

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Há 25 anos um grupo de professores do Departamento de Ciências Sociais e Letras da Universidade de Taubaté, articulou a criação de um órgão que pudesse reunir um conjunto de fontes sobre a história local e regional. Era o final do primeiro semestre de 1991, no prédio protegido pelo patrimônio histórico: a lendária Associação Artística e Literária de Taubaté, que reunia a plêiade de intelectuais e artistas envolvidos com a produção do saber e da arte. O Centro de Documentação e Pesquisa Histórica da UNITAU nascia aí, no início da década de 1990, sob os auspícios de um seleto e influente corpo docente que, de início, mobilizou-se em torno da causa da preservação documental.

A ideia era preservar a história e a memória regional, nomeadamente da própria Universidade e de outros centros de referência, cujo legado ainda sobrevive: a antiga fábrica de tecelagem C.T.I., fundada no final do século XIX e que, na década de 1980, sofrera seus primeiros e definitivos sinais da crise econômica.

Da Companhia Taubaté Industrial, a Universidade havia recebido um conjunto valioso de fontes: seu periódico, fichas de funcionários, iconografia, dentre outras fontes que serviram para marcar um pedaço relevante da história industrial de Taubaté.

Outro acervo que os primeiros docentes do CDPH não deixaram desaparecer foi aquele vinculado à memória cinematográfica de Amacio Mazzaropi. Na trajetória de doações, para somar ao acervo outras riquezas, destacou-se a atitude abnegada de Patrícia Guisard, filha de Osvaldo Barbosa Guisard, uma das principais lideranças culturais da cidade que, ao lado de outras forças intelectuais, criou, no início da década de 1950, as Semanas Monteiro Lobato: cartas, programas, recortes de jornal, publicações, flâmulas e fotografias, compõem o rico acervo do “Fundo Semanas Monteiro Lobato”.

Não poderia ficar de fora, obviamente, a história da UNITAU, cuja semente foi plantada em finais da década de 1950, com a criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Os pioneiros do CDPH tinham consciência da importância de guardar a memória local do ensino superior, que nasceu e consolidou-se com a Universidade de Taubaté.

A história do CDPH pode ser dividida em duas fases: a primeira, de constituição do seu acervo e sua organização interna, assim como da formação dos primeiros quadros de pesquisadores; a segunda, que remonta o início do nosso século e que se estende até os nossos dias, caracterizou-se pela ampliação do acervo, organização de projetos de extensão universitária, participação em congressos, eventos científicos e editais de fomento à cultura, desde uma perspectiva interdisciplinar.

Hoje o Centro conta com uma razoável estrutura e uma equipe de técnicos e estagiários preparados para atender, assessorar, organizar e dispor o acervo para a pesquisa empírica. Em seus ciclos de existência o CDPH conseguiu firmar-se como um dos mais importantes centros de pesquisa histórica do Vale do Paraíba, ao lado de outros igualmente relevantes, como é o caso da Divisão de Museus e Arquivo Histórico Municipal, em Taubaté.

Novos desafios apontam para o futuro: digitalização do acervo, incremento de projetos de educação patrimonial e uma incursão mais forte em ações de extensão universitária. Esta é a tríade desafiadora, que mobiliza a equipe a continuar atenta e disponível na luta incansável pela causa da história e da memória.

 

Prof. Dr. Mauro Castilho é coordenador do Centro de Documentação e Pesquisa Histórica da UNITAU