Alunos da engenharia reconstroem motor de avião de modelo da Segunda Guerra Mundial

Engenharia

Alunos do curso de Engenharia Aeronáutica da Universidade de Taubaté (UNITAU) desenvolveram, ao longo deste ano, um projeto audacioso: a reconstrução de um motor do mesmo modelo dos aviões utilizados na Segunda Guerra Mundial.

Lucas Damião de Campos, Bruno Soares Passos e Livio Gomes Moreira uniram o interesse e os seus conhecimentos para realizar a tarefa e aproveitaram a oportunidade ao máximo. A reconstrução do motor serviu como estágio interno e como Trabalho de Graduação (T.G.) do grupo e rendeu uma participação no Congresso Internacional de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento (CICTED), que ocorreu em setembro.

Os alunos contaram que a origem do motor no Departamento de Mecânica da UNITAU é desconhecida. “No CICTED, alguns ex-alunos vieram falar com a gente e contaram que o motor veio da Alemanha, ficou no porto de Santos e depois veio para a Universidade, mas não tem nada confirmado”, relatou Bruno.

Porém, a curiosidade da equipe com o motor existia desde o primeiro ano de faculdade. “A gente já namorava esse motor. Nossa ideia inicial era reconstruir outro motor que existe no Departamento, mas, quando encontramos esse, nós o escolhemos”, explicou Livio.

Após essa decisão, os estudantes começaram a trabalhar em cima de um motor que estava parado há anos e, com isso, alguns problemas surgiram durante o caminho. “Ele estava completamente sujo, tivemos dificuldades com os pistões que não conseguíamos remover, havia óleo parado do lado de dentro, que acabou virando uma espécie de cola”, relatou Lucas.

Mas, antes da parte prática, foi preciso realizar uma pesquisa bibliográfica. “Tivemos de pesquisar como o motor havia sido montado e qual era a sequência certa para desmontar”, explicou Livio. Os alunos encontraram quatro manuais da época do motor na internet, o que foi de grande ajuda para iniciar o processo.

Além dos resultados positivos para a vida acadêmica e profissional da equipe, os estudantes garantem que o principal objetivo do projeto foi deixar algo útil e prático para os próximos alunos. “Estamos deixando um material didático para a Universidade. Será muito mais fácil para um aluno que nunca teve contato com um motor. Ele vai poder entender os componentes e o funcionamento de um motor de avião”, afirmou Bruno.

O grupo avalia que a boa relação com a Universidade e a participação dos professores, em especial, o Prof. Me. Pedro Marcelo Alves e o Prof. Pedro Augusto da Silva, serviram de impulso para a realização da ideia. “Tivemos liberdade de decisão, tínhamos um laboratório para trabalhar, a gente fez o nosso próprio cronograma”, disse Bruno.

É extensa a lista dos conhecimentos adquiridos com a experiência, e os integrantes relataram alguns deles. “Além da convivência do dia a dia, a parte mais importante foi a prática. Ter contato prático com aquilo que você está estudando traz uma bagagem enorme”, contou Lucas. Livio acredita que a parte técnica foi sua maior soma. “Ver os componentes por dentro, questões de funcionamento, proporção, ferramentas e tamanhos”. Bruno enfatizou o trabalho em equipe. “Compartilhamento de experiências, aprender a ouvir pontos de vistas diferentes e trabalhar pelo mesmo objetivo”.

Quanto à sensação de dever cumprido, a única palavra do grupo é satisfação. Outro ponto em que os três futuros engenheiros concordaram é sobre ter de deixar o motor no Departamento. Segundo os alunos, existe certo apego após passar um ano inteiro trabalhando nele. Mas garantem que estão satisfeitos e que, vez ou outra, irão visitar a Universidade para rever o motor.

 

Ingra Lombarde
ACOM/UNITAU