Nos corredores da biblioteca, Márcia escolheu estar

Biblioteca, Destaque, Institucional, Servidor

O dia 8 de março é uma data muito marcante para as mulheres do mundo todo. É dia de pensar nelas, em suas lutas diárias e, principalmente, na força feminina. Para Márcia Maria de Moura Ribeiro, de 52 anos, o dia 8 é sempre um dia para se pensar em recomeço. Há quatro anos, ela iniciava sua primeira cirurgia contra o câncer de mama, que lhe deu uma nova forma de enxergar a vida. Márcia morou dez anos em São Paulo antes de voltar parar Taubaté e ingressar na UNITAU, em 1999. Formada em Biblioteconomia, hoje é a coordenadora do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBi).

Dentro da Universidade de Taubaté, Márcia se sente muito confortável, já que ama o que faz e sempre é apoiada em seus projetos. “Eu estou há 15 anos à frente das bibliotecas e, nesse tempo, houve grandes transformações: criamos o SIBi, qualificamos a equipe e contratamos profissionais concursados”, conta ela, que se tornou coordenadora em 2002. Hoje, Márcia sente orgulho de como as bibliotecas da Universidade se tornaram peças importantes para a formação dos alunos.

Fora do local de trabalho, Márcia gosta de se dedicar à cultura, a partir de livros, de filmes e também da internet, já que ama tecnologia. “Estou sempre conectada”, confessa. Todo esse amor pela cultura resultou no projeto “Ligação”, que é voltado para crianças e jovens com o intuito de integrar a literatura infantil, os games e a tecnologia de uma forma educacional. “Foi um processo criativo bem bacana e, na mesma hora, a UNITAU topou a parceria”, revela. O evento, que surgiu em 2010, promove vários debates, trazendo escritores, contadores de histórias, e realiza lançamentos de livros e games.

Outro amor da bibliotecária é a Serra da Mantiqueira, cuja silhueta tem tatuada um pouco abaixo da nuca. Ama pegar o carro e viajar por esse lugar que, para ela, é um privilégio se ter por perto. Afinal, Márcia não perde a chance de viver. Desde que descobriu o câncer passou a buscar isso. “Eu tive muita transformação diante de uma notícia dessas. Você não passa por ela sem repensar sua vida. A minha mudou para melhor”, relata.

Atualmente, Márcia se sente muito mais consciente, mais mulher e participativa quando se trata de lutar por seus direitos. Isso pode ser herança da família cheia de mulheres que tem, tendo sua avó materna e sua mãe como grandes influências em sua vida. “Me inspiram muito mulheres que lutam e mostram a cara. Eu sou fã de mulheres que acontecem!”, declara. E isso faz com que Márcia se engaje em campanhas feministas. Para ela, as mulheres alcançaram um patamar mais alto e não podem retroceder, nem esmorecer. Aliás, não só elas, mas também os homens. “Os maridos também estão aprendendo a lidar com essa nova mulher. A mulher pode ser o que ela quiser e tinha que ser mulher, inclusive, para romper com tudo isso [sociedade patriarcal]”, destaca ela.

Por onde passa, Márcia transmite sua força, feminilidade e liberdade. Mãe de um rapaz de 28 anos, ela mora sozinha, é totalmente independente e se sente grata por poder viver tudo isso. “Tenho o poder de decisão totalmente meu. Acredito que isso é o que me dá prazer de ser a mulher que eu me tornei, porque eu batalhei muito. Não é delírio de adolescente, eu tenho 52 anos e estou muito segura do que estou conquistando”, fala com alegria. Uma mulher livre! É assim que ela se sente. Não tem medo de enfrentar o que vem e deseja que as outras mulheres enxerguem a coragem que cada uma tem dentro de si, para que, dessa forma, a luta nunca acabe.

Débora Santos
ACOM/UNITAU

Foto: Ariel Marcon/ACOM