De mãe a líder, Roseli é feliz com as várias mulheres que pode ser

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Com o sorriso largo e as covinhas marcantes, a Profa. Dra. Roseli Albino dos Santos, de 48 anos, chama a atenção por sua calma e presença. A atual diretora do Departamento de Pedagogia iniciou sua história na Universidade de Taubaté (UNITAU) há 30 anos, como aluna. Roseli sempre sonhou em ser professora e escolheu se graduar na Universidade devido a tradição do curso no Vale do Paraíba. “Era automático isso. Você terminava o magistério e pensava o que?:‘Ah, vou fazer Pedagogia na UNITAU’”, conta ela que conciliou a vida acadêmica e profissional desde o começo.

Para professora, a Pedagogia é como uma família. Muitos de seus colegas de trabalho foram seus colegas de classe. “Nós temos uma relação que vai além da profissional, é uma relação afetiva, de comprometimento com o curso”, revela. Roseli acredita que isso contribui muito na intenção que todos eles têm em melhorar e fazer com que faculdade evolua cada vez mais. “Qual curso consegue se manter por 60 anos consecutivos tendo turmas todos os anos? Nós temos uma paixão pela Pedagogia e queremos manter esse entusiasmo dos alunos”, declara Roseli.

Atuando como professora há 22 anos, ela tem muita bagagem e historias de ex-alunos. Contudo, o que mais a deixa realizada dentro de sua profissão é poder presenciar a superação dos estudantes com necessidades especiais, cuja qual foi sua habilitação quando se formou em Pedagogia. “Isso prova o quanto o ser humano é capaz”, acrescenta. Além disso, ela ama o retorno que tem daqueles que foram seus alunos. “Eles passam aqui na frente [do departamento] e entram pra contar suas conquistas. O que mostra o quanto eles se envolvem com a gente”, comenta ela feliz.

Mesmo amando sua profissão, nada deixa os olhos de Roseli mais brilhantes do que falar de sua família. Depois de um longo dia de trabalho é onde ela encontra seu refúgio. “Eu tenho uma satisfação muito grande de poder estar na minha casa, com os meus filhos, meu marido. Isso pra mim é impagável”, diz ela que vem de uma família de seis irmãos e resolveu distribuir todo esse amor e valor familiar, adotando seus quatro filhos: Luiz de 12 anos, Henrique de 11, Maria de 10 e Rian de 9 anos. Esta foi a maior transformação vivida por Roseli. “Nós éramos dois e agora somos em seis. Eles me tornaram um ser humano melhor, me fizeram enxergar um lado meu que eu desconhecia”, conta ela que fica realizada ao ver o bom desenvolvimento de suas crianças, durante esses 5 anos de convivência.

Roseli nunca teve medo de que o fato de ser mãe pudesse atrapalhar sua vida profissional, como muitos diziam. Nos três primeiros anos, ela se dedicou a adaptação de seus filhos, mas em momento nenhum abandonou o trabalho. Roseli acredita que a mulher deve mostrar para os filhos que sua profissão não é concorrente com o amor que ela tem por eles. “Meus filhos sabem que para mim é importante preparar uma boa aula, para eu dar uma boa aula. Eles não se sentem abandonados porque eu estou trabalhando”, conta se lembrando de como eles falam com orgulho que a mãe é professora.

Apesar da agenda de Roseli parecer sempre lotada, ela nunca se esquece de tirar um tempo para si mesma. “Diante de tudo isso, não me contentei e ainda entrei para um grupo de teatro”, confessa risonha. Aprender coisas novas e desenvolver o que a faz feliz traz ainda mais ânimo e força. “Você pode ser mãe, ser profissional, ser o que quiser. Não é preciso renunciar uma coisa para ser outra. Na verdade, elas se somam. Ser mulher é não matar o seu próprio sonho. É não se esquecer de si mesmo”, declara.

Aos olhos da professora isso tudo é reflexo da luta feminina ao longo desses anos. “Eu, pessoalmente, enquanto mulher e enquanto negra também, vejo o quanto gente vive em uma sociedade que é preconceituosa. Porém, não podemos sucumbir a isso. A gente conquistou uma série de condições para tornar nossa vida, uma vida de escolhas”, discursa Roseli que se orgulha em ver o reconhecimento da força e da capacidade feminina.

A forma como esta mulher encara a vida e aprende com ela, é mais uma característica de seu dom para ser pedagoga. Inspirada por seus pais, casados há 60 anos, hoje ela também inspira não só seus filhos, mas aqueles que estão ao seu redor. Todo amor e alegria que ela encontra na família, na profissão, em si mesma e na sua fé, estão refletidos em sua postura reluzente. Agora o que ela deseja é que sua vida permaneça melhorando, que ela veja seus filhos crescerem e as pessoas aprendam a cuidar do próximo, para que assim, exista um mundo com mais diversidade e menos julgamentos.

 

Débora Santos

ACOM/UNITAU

 Foto: Thiago Bonesio/ACOM