Historiador reacende memórias e cenário cultural em Taubaté

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Em 1918, Monteiro Lobato publicava “Urupês”, livro no qual o escritor taubateano comparava o homem do interior com o fungo orelha-de-pau (o urupês), ou seja, chamando o caipira de praga. No ano de 2002, em uma casa com o quintal de bambuzal, casa dos sacis, dois rapazes assumiram, com orgulho, “urupês” como uma identidade. Esse é o mito de origem do Almanaque Urupês, criado pelos irmãos Pedro e Angelo Rubim.

Formado em História na Universidade de Taubaté (UNITAU) em 2008, Angelo, junto com Pedro e a jornalista Mariana Tchmola, também formada pela UNITAU, reacendem antigas memórias de Taubaté. “São 15 anos de um trabalho árduo, difícil, mas extremamente recompensador que é feito de Taubaté para Taubaté, queremos trazer o melhor da cidade”, afirma o historiador.

No início dos anos 2000, um conhecido dos irmãos chegou até eles com documentos de Félix Guisard e, até então, não havia nenhuma pesquisa aprofundada sobre esse personagem. Foi aí que, com o auxílio da Associação Comercial e Industrial de Taubaté (ACIT), Angelo e Pedro iniciaram o projeto “Taubaté: memória viva”, que alavancou o Almanaque Urupês. “Quando o documento chegou às nossas mãos, veio a ideia de criar um site, o que futuramente deu fôlego para os projetos futuros”, relata Angelo.

O conteúdo do veículo veio para preencher uma lacuna: havia poucas pessoas que contavam a história do município de Taubaté, que ia desaparecendo ao longo das gerações. “O conteúdo vem de pesquisas que nascem de acervos doados por famílias. Já descobrimos e desenterramos muitas histórias, como a dos soldados da 2ª Guerra Mundial da região”, explica.

Com esse trabalho em andamento, aliado a uma paixão de adolescente, Angelo optou por cursar História na UNITAU. “O que a Universidade me trouxe foi critério, além de uma base histórica, para aprimorar meus textos e métodos de pesquisa. Talvez, se não fosse a graduação, eu não conseguiria dar continuidade ao Almanaque”, ressalta.

Atualmente, o Almanaque é muito mais que uma revista eletrônica, é uma produtora de conteúdo que busca reflorescer o cenário cultural de Taubaté. “Temos o conteúdo online, com textos históricos e jornalismo cultural, conteúdo audiovisual, o almanaque anual, até mesmo eventos e ações culturais” conta o ex-aluno. “O mais importante é o público. Queremos pessoas falando de cultura, consumindo cultura, divulgando a história de Taubaté, do Vale do Paraíba. É preciso espalhar cultura”, completa.

Para o historiador, o sucesso do Almanaque Urupês veio devido à confiança. “Acreditar no seu projeto, acreditar que ele é bom, é o mais importante. Não precisa ser inovador, ele precisa ser bom, assim terá público”, garante.

 

Heloisa Costa

ACOM/UNITAU

*Foto: Leonardo Oliveira