Ex-aluna de Serviço Social atua na reabilitação de dependentes químicos

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Nadar contra a maré no combate às drogas e desconstruir a ideia de internação compulsória. Esses são os objetivos que guiam a carreira da assistente social Danielle Calcanhoto, formada, em 2014, em Serviço Social pela Universidade de Taubaté (UNITAU).

A grade curricular do curso foi o que mais chamou a atenção de Danielle, mas, ao se matricular, ela não sabia tanto sobre o trabalho do assistente social. Quando as aulas começaram, ela se surpreendeu. “O curso é bem político, foi uma surpresa que me agradou muito”.

Com as expectativas superadas, ela ficou ainda mais motivada. “Aproveitei muito mais. Pude fazer uma leitura de realidade, do contexto em que a gente vive, e entender a dinâmica do sistema em que estamos inseridos, foi uma experiência muito bacana”, enfatiza. “Foi um aprendizado para a vida profissional e para a vida pessoal”. Danielle relembra a época da faculdade com tanto carinho que confessa se emocionar até hoje ao entrar no Departamento de Serviço Social.

Entretanto, como todo estudante de graduação, ela não estava muito certa sobre qual caminho seguir. “Eu não tinha planos. O Serviço Social é muito abrangente, são muitos campos de atuação, mas eu não entrei na faculdade com uma ideia do que fazer”. Foi só na época do Trabalho de Graduação que Danielle se decidiu. “Eu fiz o meu TG sobre drogas e conheci algumas vertentes de trabalho na área de dependência química. Depois de formada, passei em um processo seletivo e fui para o Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps AD)”.

Após três meses de trabalho no Caps, a assistente social assumiu a coordenação do Consultório de Rua, projeto que oferece acolhimento, orientação, cuidado e encaminhamento para viciados em crack. “Eu trabalhei com essa população em situação de rua e, quando meu contrato acabou, eu já sabia que era isso que eu queria continuar fazendo”, afirma.

Decidida a trabalhar com dependentes químicos, Danielle criou o Grupo Entre Laços, um tratamento ambulatorial que atende quem faz uso de substâncias e seus familiares. “A internação é um dispositivo, mas não é o único”, salienta, “por isso, criamos esse projeto e atendemos aqui na Clínica Abrace Vida”. Mas essa tarefa não é nada fácil: “O desafio é diário. Eu tento eliminar a ideia de que a droga é um pecado, que envolve a questão moral. Não é nada disso, a droga é uma substância, e eu trabalho com pessoas que fazem uso dela”.

Mesmo com todas as adversidades, Danielle admite que não trocaria essa profissão por nenhuma outra. “O Serviço Social é maravilhoso. Vira a gente no avesso”, conclui.

 

Marina Lima

ACOM/UNITAU

 

Foto: Pâmela Daziella e Mariana Souza