Em meio a tantas mudanças, vamos conhecer as Metodologias Ativas?

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Discutidas há cerca de 40 anos, as metodologias ativas incentivam estudantes a aprenderem de forma autônoma e participativa, por meio de experiências em situações e desafios reais. Esse método tem como objetivo fazer com que o aluno construa o conhecimento por meio da interação que estabelece com outros saberes e com diferentes pessoas. Nesse sentido, é fundamental um indivíduo mais experiente, professor ou aluno-monitor, para auxiliar esse estudante a avançar na estruturação desse estudo.

A professora Mariana Aranha, docente nos Mestrados em Educação e em Desenvolvimento Humano, e coordenadora do setor de objetos de aprendizagem na EAD, conta que esse processo exige um ensinamento. “Normalmente, a gente tem de ensinar os grupos a fazerem isso. Nem sempre a primeira atividade do grupo é para valer. Primeiramente, você cria um protótipo até que os grupos estejam familiarizados com essa nova forma de aprender e ensinar. Depois você pode ir para a realidade”.

Levando isso em conta, são criados cenários-problemas que condizem com a realidade ou, até mesmo, levantados problemas existentes que estejam correlacionados com a área de formação do aluno. Depois, o grupo, geralmente formado por um professor (mediador), um aluno mais experiente (monitor) e os demais estudantes, dividirá as funções (líder, planejador etc.), entenderá o empecilho, programará uma resolução e, por fim, as executará.

A metodologia ativa é um método interdisciplinar que exige conhecimentos técnicos e comportamentais. Além das pesquisas e de questões de ordem ética, visto que, em determinado momento, um aluno é o líder e os demais são liderados, e, posteriormente, os papéis se invertem. A Profa. Mariana fala sobre a consequência, “Você acaba colocando o aluno numa situação tão real que você desmistifica a necessidade de competitividade. Há clareza de que ela exista, mas que não precisa ganhar acima de qualquer preço do colega. Isso tem gerado impacto muito grande nessa relação da Universidade e com o mercado de trabalho. Ou seja, os alunos não só estão mais atuantes e interessados na aula, mas acabamos conseguindo fazer de verdade a missão da Universidade: atrelar ensino, pesquisa e extensão”.

A sala de aula invertida é um exemplo de metodologia ativa, na qual o professor envia um material (texto, vídeo, questionário etc.), os estudantes se familiarizam com o tema previamente e, durante a aula de fato, há uma discussão para esclarecer as dúvidas sobre aquele assunto.

De acordo com a Profa. Mariana, essa autonomia precisa ser desenvolvida do nível iniciante e intermediário para o mais avançado. “Sabemos que a gente não consegue partir do nível iniciante diretamente para o mais avançado. A pessoa precisa ter disciplina. Então, a gente atrela a combinados como sistemas de avaliação. No meu caso, uso muito as redes sociais ou plataforma digitais, como formulários do Google. Partimos de mecanismos de avaliação, depois com um combinado que não precisa estar associado a notas, porque o aluno já se acostumou que a aula rende tanto se ele vier preparado, que já se condicionou a esse comportamento”.

 

Nathalia Querol
ACOM/UNITAU

Foto: Leonardo Oliveira