Pais e educadores: como acompanhar a rotina escolar dos filhos

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Crianças e jovens passam boa parte de seus dias na escola. Entretanto, é necessário que o processo de educação tenha continuidade em casa, com acompanhamento dos pais. Essa não é uma tarefa fácil e várias questões e dúvidas podem surgir no caminho. Por isso, a Profa. Ma. Andreza Manfredini, do curso de Psicologia da Universidade de Taubaté (UNITAU), traz dicas para ajudar pais no acompanhamento da rotina escolar das crianças.

Ouvir e estar atento aos relatos sobre a escola

Acompanhar freqüentemente as atividades que o filho realiza na escola, tanto pedagógicas como sociais, é fundamental. Como fazer isso? “Escutar as histórias que o filho traz sobre como foi seu dia na escola, o que aconteceu, como se relacionou, quais novos amigos fez, o que aconteceu nessas amizades, como foi a relação com a professora e com os outros atores escolares”, explica a professora. “Se os pais têm rotinas muito atribuladas, é importante que, pelo menos, alguém da família esteja próximo da criança, alguém com quem a criança consiga conversar para contar histórias e ser ouvida”. Quando esse canal de escuta é aberto, os pais tornam-se mentores do filho e podem orientá-lo em vários temas, como sexualidade, amizades ou valores morais.

Compartilhar a responsabilidade

Uma questão comum entre os pais é em relação aos deveres escolares. Como ajudar sem interferir na autonomia das crianças? A professora afirma que pais devem ser co-responsáveis pelas atividades realizadas em casa. “Estimular o estudo, incentivar a criança a verificar sua agenda e conferir se está tudo pronto para o dia seguinte. Incentivar e monitorar para garantir que o filho está realmente sendo responsabilizado por suas tarefas”. Assumir as tarefas não é saudável, porque tira a autonomia e a responsabilidade da criança no contexto em que está inserida.

Levar perguntas para a sala de aula

Se a criança não consegue resolver alguma questão do dever, “a melhor saída é deixar com que o filho leve a dúvida para o professor”, afirma a professora. “Muitas vezes, os pais acabam se sentindo culpados por não terem muito tempo para ajudar e acabam fazendo a tarefa. Eles podem sentar com o filho e ajudar, mas quem escreve e quem realiza deve ser a criança”.

Confiança é a base da relação

Passar tempo de qualidade com o filho, mesmo que pouco, é outro ponto essencial. “É importante que os pais sejam abertos com o filho para que ele sinta confiança nessa relação e possa contar qualquer história, mesmo que seja difícil para a criança. É importante que essa relação seja preservada, baseada na confiança e na segurança.”

Incentivar, não castigar

Notas baixas ou notificações de tarefas não feitas podem vir ao longo do ano letivo, mas a professora alerta que isso não é motivo para bater ou colocar a criança de castigo. “É importante que os pais reflitam sobre o apoio que o filho teve para realmente fazer essa tarefa. Ele precisa desse incentivo para fazer o dever e estudar, e são os adultos que vão dar essa sustentação”.

 

Marina Lima

ACOM/UNITAU

Foto: Leonardo Oliveira