Aluna de Mestrado desenvolve substância que elimina mosquitos Aedes em 24 horas

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A transmissão de doenças por mosquitos do tipo Aedes é uma realidade que cresce a cada ano.  A espécie transmite doenças, como a dengue e a febre amarela, que podem causar desde uma simples febre até casos mais graves, levando a pessoa a óbito.

Mariana Carolina Toledo, aluna do Mestrado profissional em Ciências Ambientais na Universidade de Taubaté (UNITAU), descobriu a dosagem certa de um polímero que elimina as larvas dos mosquitos do tipo Aedes no período de 24 horas. A substância é feita a partir de lã acrílica, conseguida a partir de tecidos de roupas que foram descartadas no meio ambiente. “Esse polímero que desenvolvemos é reciclado. A matéria-prima foram tecidos de roupas que as pessoas jogaram fora. Pegamos a lã acrílica e transformamos em pó, e desse pó demos início a todo o processo”, comenta a aluna.

“Foram 336 horas de experimento em laboratório. Quando o polímero é jogado na água, ele tira o oxigênio dela e, dessa forma, a larva do mosquito não sobrevive. Essa substância permanece até cinco anos no meio ambiente, independentemente das condições climáticas. Os testes foram feitos com larvas do Aedes Aegypti e do Aedes Albopictus, que transmitem dengue e febre amarela, respectivamente. De acordo com a dosagem utilizada, 75% dos mosquitos morreram em 24 horas. Atingimos 100% em 48 horas”, comenta a aluna.

O próximo passo é ir a campo. A aluna levará seu experimento para três bairros de Taubaté: Chácara Flórida, Chácara Ingrid e Estoril, todos com maiores índices larvais de Aedes, de acordo com a vigilância epidemiológica da cidade.

A trajetória de Mariana na UNITAU teve início na graduação. Ela é formada em Engenharia Ambiental e Sanitária e, durante o curso, a aluna sempre se dedicou aos trabalhos e participava dos projetos. Em um deles, realizado na APAE de Taubaté, atuou na adequação da Área de Preservação Permanente (APP) e na regularização e no dimensionamento de uma barragem no lago da propriedade para captação de água subterrânea.

O alcance desses projetos chegou a nível internacional. A Universidade de Taubaté foi uma das três universidades brasileiras convidadas para a Primeira Cúpula Ambiental de Estudantes da América Latina, para a apresentação dos projetos realizados na APAE. O evento aconteceu na cidade de Cochabamba, na Bolívia. “Fiquei muito feliz, pois foram apenas dois trabalhos escolhidos em todo o Brasil e o nosso foi um deles”, comemora.

Continuar a estudar é uma forma que a engenheira encontrou para melhorar a qualidade de vida da população. “Quero trabalhar como cientista ambiental. Acredito na pesquisa e, por meio dela, quero trazer e buscar resultados que possam contribuir para a saúde da população e para o equilíbrio do meio ambiente”, afirma.

ACOM/UNITAU

Foto: Leonardo Oliveira/ACOM