INÍCIO
PROEXT
SERVIÇOS
AÇÕES
NOSSA REVISTA
Buscando saídas para a violência

Um atendimento prestado há onze anos no Hospital Universitário (HU) culminou na criação do projeto que, hoje, é uma rede de apoio para centenas de pessoas de Taubaté e de outros municípios, o Grupo de atendimento à vítima de violência sexual (Gavvis).

 

Ele presta atendimento multidisciplinar, especializado e humanizado para as vítimas e realiza ações educativas. é formado por profissionais de Medicina, de Enfermagem, de Psicologia e de Direito. Instalado no HU, recebe pacientes encaminhados por diferentes órgãos e garante o sigilo dos atendimentos. Ainda sim, chegar até as vítimas é um desafio. “Vir até o Gavvis é um ato de coragem”, afirma a médica Profa. Dra. Valéria Holmo Batista. Isso porque o preconceito e o medo ainda imperam na vida de muitas vítimas, assim como em 2004, quando uma paciente grávida de sete meses, mãe de 12 filhos, deu entrada no HU com sinais visíveis de agressão física. Uma hemorragia levou o bebê à morte e fez com que a mãe usasse uma sonda por três semanas. Após o período, ela teve, de acordo com os procedimentos médicos cabíveis, um parto normal, mesmo com a criança já falecida.

 

Durante a internação “se recusou a falar sobre a violência sofrida. Até o último dia em que permaneceu no hospital, ela insistia que havia caído da própria altura, apenas. Aí percebemos que não tínhamos preparo para atender pacientes vítimas de violência”, conta a médica.

 

O caso foi a gota d’água para que a equipe criasse o Gavvis, que hoje, além dos atendimentos, tem uma vertente educativa, na qual participa de eventos e fóruns de discussão, realiza capacitações sobre o atendimento às vitimas e promove palestras para debater e desmistificar o tema, além de inserir os universitários nas ações.

Crianças são maioria

Desde 2004, o Grupo já atendeu 348 vítimas, sendo que 44% delas (126 meninas e 27 meninos) tinham até 12 anos. O segundo maior grupo atendido é de jovens de 13 a 18 anos, que totalizam 29% dos casos atendidos (101  pacientes).

 

“É um acolhimento para tentar entender qual foi o impacto da violência para essa vítima direta e para as vítimas indiretas, que são as pessoas que compõem o seu ciclo familiar, afetivo e de trabalho”, explica a psicóloga Profa. Ma. Márcia Maria de Assis Lopes. “Ninguém fica imune, sempre fica uma marca, mas trauma, não necessariamente. O nosso trabalho é justamente apoiar os pacientes.”

Simone Gonçalves

ACOM/UNITAU